quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Polaca


Num ambiente de curvas meio duras, meio retas, onde uma densa neblina húmida e quente que parecia fluir da pele suada de quem está dando duro seja nas mesas, seja no topo do palco, ou seja nos arredores pairava escondendo as coisas.
Cheiro de couro, pele enrugada, cabelos, de dinheiro, som de vozes. A polaca dançava, mais parecia uma lacraia, porém espantosamente atraia olhares, talvez por sua pele clara, tão clara quanto as nuvens, ou quem sabe seus olhos de esmeralda, ou seus cabelos ruivos, cacheados, cabelos que eram realmente belos.
Talvez simplesmente por ser diferente.
A polaca dançava, vendia, sofria, buscando noutra terra um espaço que ela nunca teve por lá.
Mas mesmo não se encaixando em lugar nenhum ela está em todos os lugares. Em todas as conversas.

-Temos uma polaca na cidade.
-Oh, quando vamos vê-la?

Recriminada, descriminada, atacada, arrasada, e mesmo assim ela dançava, vendia, sofria, seguindo seu plano inquebrantável de encontrar nessa Terra seu espaço. Ela sabia, todos estavam deslocados.

JoãoLira

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estou com você


Alpha, ômega, marfim, vidro, diamante, ametista, diamante, piano, .
Alpha, libélulas, pavões, serpentes, felinos.
Penumbra boca de bosque-breu breu, borrado à solidão não, a companhia, não, ao companheirismo.
Chuva brilhante de céu purpura, o olho fogo lambe a vegetação transformando anos de desenvolvimento em , recomeço, fênix, preto, laranja, preto. Fogo. fogo

Um caminho, quatro pés, duas bocas que falam:

-Sentirei;
-Sinto.
-Mas eu ainda estou aqui.
-Sentirei.

De repente duas mãos entrelaçam-se, olhos em frente em brasa, momento alterado.

-Não mais, estou com você.

Ômega, água, felinos, água, pedras. Cervo em chamas.
Mana, ar, mana. Éter.

-Sempre.
.Lira