quarta-feira, 30 de maio de 2012

A Polaca


Num ambiente de curvas meio duras, meio retas, onde uma densa neblina húmida e quente que parecia fluir da pele suada de quem está dando duro seja nas mesas, seja no topo do palco, ou seja nos arredores pairava escondendo as coisas.
Cheiro de couro, pele enrugada, cabelos, de dinheiro, som de vozes. A polaca dançava, mais parecia uma lacraia, porém espantosamente atraia olhares, talvez por sua pele clara, tão clara quanto as nuvens, ou quem sabe seus olhos de esmeralda, ou seus cabelos ruivos, cacheados, cabelos que eram realmente belos.
Talvez simplesmente por ser diferente.
A polaca dançava, vendia, sofria, buscando noutra terra um espaço que ela nunca teve por lá.
Mas mesmo não se encaixando em lugar nenhum ela está em todos os lugares. Em todas as conversas.

-Temos uma polaca na cidade.
-Oh, quando vamos vê-la?

Recriminada, descriminada, atacada, arrasada, e mesmo assim ela dançava, vendia, sofria, seguindo seu plano inquebrantável de encontrar nessa Terra seu espaço. Ela sabia, todos estavam deslocados.

JoãoLira

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