Sabe aqueles dias que já começam dando tudo errado, era um dia desses na vida do Paulo Roberto. Ele já acordou gritando por que seu celular havia descarregado e ele estava atrasado para a faculdade.
-Ai que ódio! Essa porra desse celular... PQP! E você ein mãe, você nem pra acordar a pessoa presta, não notou que eu tava atrasado? Custava dar uma ajuda e me chamar?
Mas eu sabia que se eu fosse acordar ele, ele ia ter uma reação parecida, ou até pior. Mas eu preferi não me importar com as agressões dele, como sempre fazia, e ajeitar um lugar para ele a mesa do café.
-Ai tu jura que eu vou ter tempo de comer não é? Só pode ser piada haha. Me da essa porcaria que eu vo ter que sair correndo.
Ai meu filho, se você soubesse o quanto isso machuca, todos a sua volta estão se afastando de você .
-Cade a porra das chaves da minha moto?
Nesse momento senti que algo estava errado... tentei alcançar as chaves antes dele e impedi-lo de sair, ele estava muito alterado, podia ser perigoso, mas ele era mais ágil que eu, e pegou a chave primeiro.
-Osh, ta doida? Voce já deu a moto pra mim, agora já era, não pode tomar.
-Meu filho, não va de moto hoje, chame um taxi...
-E gastar meu dinheiro? Dinheiro que eu podia usar pra sair, ou até pra botar gasolina na moto?
-Meu filho por favor, me escute, meu coração ta apertado, você esta muito alterado, por favor meu filho va de taxi, eu pago.
-Sai mãe me solta, to atrasado... SAAAI MÃÃÃE!
Naquele instante, me senti impotente diante da brutalidade do meu filho, ele estava muito chateado pelo fato do pai ter ido embora e desde então estava descontando tudo em cima de todos nós, na verdade, só tinha restado eu. Mesmo sofrendo muito com tudo isso, mas ele era meu filho, eu não podia deixa-lo só.
Mas já era tarde demais, ele já estava em cima moto acelerando cada vez mais, enquanto eu so pude fazer mais um ultimo apelo. O ultimo de todos
-Espera...
Na esquina da nossa rua, bem na frente dos meus olhos, vi meu filho engavetar-se com sua moto num carro.
Meus olhos viraram pedra, minhas pernas morreram e eu cai me debatendo de dor no chão. Meu filho!
-MEEU FILHOOOO!!!
Todos na rua correram devido ao barulho do impacto do aço, em instantes a rua estava mais cheia do que nunca esteve, varias pessoas faziam um circulo ao redor do acidente e algumas tentavam me levantar enquanto minha carne doía, meus olhos sangravam e meu coração dava nós.
Consegui me equilibrar, e nesse momento corri ao encontro do meu filho, ele era meu filho, não importava o quanto as pessoas dissessem “Não deixe ela passar, não deixem!” eu passava por cima de todos.
Esperei por ele, concebi-o, cuidei dele dentro de mim por 9 meses, o amei, o vi crescer, conquistar seus objetivos, sofri junto com ele suas decepções... Ele não podia ter morrido, ELE NÃO PODIA.
Quando cheguei la, meu coração parecia uma explosão, mas não adiantava mais... Eu enlouqueci.
JoãoLira
Continua...

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