Nunca havia me imaginado como alguém tão cruel, sempre soube que pessoas assim eram reais, tinha até muitos amigos assim, mas eu nunca parei pra pensar como seria, nunca me imaginei assim.
Quando ela me disse que eu era mau, lembrei-me de uma senhora, certa vez na rua, me abordara simplesmente para dizer: - você é uma pessoa ruim.
E eu, como se fosse a coisa mais natural do mundo, a lancei um ar superior e disse: -você nem imagina o quanto.
Ate que comecei a notar, que a medida que eu aceitava essa característica as coisas começavam a mudar, haviam coisas demais, até a mais. Coisas novas, mas o que mais me chamou atenção foi um grande pavão de cores extremamente fortes e profundas.
Era como se ele me rondasse, querendo que eu o visse, mas se deixando intocável. Sempre que o via podia sentir sua aura misteriosa, vindo de encontro com a minha, me tornando algo maior, algo como, um assassino misterioso, ou como um querido amigo gosta de me chamar, o maníaco do parque.
Sempre que o via ele estava terminando de passar. Sentia uma vontade enorme de correr atrás dele, mas sabia que era inútil, ele não estaria mais lá. Então só me restava o respeitar, admirar, de longe, um pássaro azul marinho, verde mistério, branco paz. Quase o arco-íris
Ate que um dia, um dia raro, decidi me mostrar ao astro rei. E enquanto meditava na segurança do colo da mãe ele se apresentou a mim. Veio majestosamente do nada, por trás do tronco do que um dia foi uma mangueira frondosa e frutífera, me olhando com seus olhos negros delineados por uma mascara branca. Abriu-se em seu esplendor e disse:
- Somos um. Possuímos o semblante dos anjos, porem também a voz do diabo e o passo dos ladrões. Aprendemos com as decepções a importância das diferenças. Podemos não possuir a fala mais bela, o voo mais alto e rápido, mas somos os mais majestosos dos pássaros.
Então nesse momento estávamos lá. E éramos um, quer dizer, éramos sendo distintos, um ao lado do outro.
Não, nós éramos um.
Om hemoligom ie mou quotade Ptolomeu César.
João Lira
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